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6 de out. de 2010

O novo profeta da nação

O texto abaixo, sugestão do nosso amigo Claudio Beckert, é de autoria de Alex Dias Ribeiro (Atletas de Cristo).


O pastor chegou da igreja cansadão depois de um domingo cheio de atividades e desabou no sofá para dar aquela relaxada. Alguém ligou a TV justo no momento em que acabavam de mostrar o gol mais bonito da rodada. O repórter perguntou ao autor da jogada como ele conseguira fazer aquele golaço. “É, eu chutei e graças a Deus foi gol”. “Puxa vida, eu não sabia que esse cara era atleta de Cristo”, exclamou o pastor, levantando-se empolgado do sofá. “Tenho que trazê-lo para pregar na minha igreja”.

Não sossegou até arrumar um diácono que era amigo da irmã da sogra do jogador. Mesmo advertido de que o craque não era tão bom de fé, quanto de bola, o pastor não quis nem saber e pôs faixas no bairro inteiro, anúncios no rádio e convites no jornal.

No domingo, a igreja estava lotada. Depois que as 16 bandas da igreja se apresentaram, o pastor se levantou e, orgulhosamente, apresentou o grande pregador da noite. O atleta que, até então, só sentara no último banco, subiu meio desajeitado no púlpito e engoliu em seco ao encarar de frente a multidão. Resolveu encarar a situação, respirou fundo, deu uma ajeitada na gravata que nunca tinha usado e começou: “Bom, meus irmãos, eu vou contar para vocês a parábola do Bom Samaritano, amém”!? A congregação respondeu em coro: “Amém”! Foi então que o artilheiro ganhou moral com o eco favorável da torcida.

O sermão – “Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu numa plantação de espinhos que começaram a sufocá-lo. Tentando sair da incircuncisa situação, ele gastou todo o seu dinheiro até ficar pobre, a ponto de comer a comida dos porcos numa fazenda. Foi então que ele encontrou a rainha de Sabá, que lhe deu um prato de lentilhas, cem talentos de ouro, vestidos brancos e um cavalo. Ao prosseguir viagem, seus cabelos se enroscaram numa árvore e o homem ficou pendurado por muitos dias, mas os corvos lhe trouxeram comida e água, de sorte que o homem comeu cinco mil pães e dois peixes. Uma noite, quando ainda estava suspenso, Dalila, sua mulher, chegou e sorrateiramente cortou seus cabelos. O homem caiu em pedregais escorregadios, mas levantou-se e andou. Então choveu quarenta dias e quarenta noites e o homem escondeu-se numa caverna, onde se alimentou de gafanhotos e mel silvestre. Saindo, encontrou um servo chamado Zaqueu, que o convidou para jantar. Mas o homem desculpou-se, dizendo que não podia porque havia comprado uma manada de porcos perdidos como ovelhas sem pastor. Foi então que um leão faminto tragou os porcos, mas Golias derrotou o leão com sua funda e mostrou ao homem o caminho que levava à Jericó. Ao aproximar-se das muralhas da cidade, ele viu Jezabel na janela. Mas, ao invés de ajudá-lo, ela riu. Indignado, o homem bradou em alga voz: Lançai-a fora! E eles a lançaram fora setenta vezes sete. Dos fragmentos foram recolhidos doze cestos e disseram: Bem-aventurados os pacificadores. Portanto, irmãos, na ressurreição dos mortos, de quem será esta mulher? Assim diz o Senhor. Amém”!

Encantada, a congregação aplaudiu de pé. Na saída, entre um autógrafo e outro, o pastor ouviu uma confissão: “Eu não entendi nada do que ele pregou, mas foi uma bênção”. “Ai, você falou ao meu coração”, suspiraram as garotas da igreja. Feliz como quem marca um gol de placa, o craque da Palavra foi para casa achando que era o novo profeta da nação.

22 de jun. de 2010

Miséria debaixo do tapete?

Em tempos de Copa do Mundo, quando o futebol passa a ser o assunto mais importante, Henrique Goldman, cineasta paulistano radicado em Londres, escreve sobre como a África do Sul tenta esconder do mundo sua miséria (a coluna pode ser lida na Revista Trip). Vale a leitura e a reflexão:


"Tinha 9 anos, mas me lembro, como se fosse ontem, da cobertura ao vivo num tosco televisor preto e branco de marca Telefunken. A gloriosa seleção canarinho de 1970, depois de ganhar todos os jogos, voltava tricampeã do México. Minha família assistia, emocionada, ao presidente, o general Emílio Garrastazu Médici, receber a taça Jules Rimet das mãos do capitão Carlos Alberto. Com grande senso de mise-en-scène, o general se virou para a câmera e beijou o caneco, como se fosse seu.

Em vez de celebrar como todos, meu tio Bernardo, comunista de carteirinha, ficou num canto da sala, praguejando contra o futebol que alienava as massas e promovia a ditadura militar enquanto o povo era explorado e seus amigos, torturados.

Passados 40 anos e dez Copas, li no jornal The Guardian um artigo que certamente faria o tio Bernardo, que morreu de infarte durante a Copa da Itália em 90, gemer na cova. A Organização das Nações Unidas divulgou o ranking anual que qualifica os países segundo o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e reúne dados sobre nível de educação, expectativa e condições de vida. São 182 países na lista, e a África do Sul (que está torrando R$ 8,5 bilhões com a Copa) ocupa o 129º lugar - 19 posições abaixo da miserável Faixa de Gaza.

DESALOJADOS À FORÇA

A ridícula discrepância entre o PIB e o IDH faz dos anfitriões sul-africanos campeões mundiais absolutos da desigualdade social. Eles são também os campeões mundiais em mortes violentas per capita. Os dados são chocantes até mesmo para nós, brasileiros, tão acostumados com estatísticas absurdas: 42,9% da população sul-africana ganha menos de R$ 3,50 por dia. A expectativa média de vida é de 49 anos - 13 anos menos do que quando o país ainda vivia sob o manto brutal do apartheid. Para construir estádios e esconder do mundo a vergonhosa miséria, milhares de favelados foram desalojados à força em Johannesburgo e Pretória e jogados em miseráveis acampamentos provisórios.

O tio Bernardo, que Deus o tenha, era um puta de um mala. Era mal-humorado, tacanho e tinha mau hálito. Mas hoje lembrei dele com carinho, pensando que existia muita verdade no seu jeito pedante de olhar para o mundo. Isso tudo dá mesmo muita raiva. Mas seu engano foi querer estragar a festa, levando tudo e a si mesmo muito a sério, sem reconhecer que, durante a Copa, o futebol, apesar de todos os absurdos da humanidade, é a coisa mais importante."

1 de jun. de 2010

Brasil já tem logo para a Copa 2014

A Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, já tem sua logomarca. O desenho, nas cores verde, amarelo é vermelho é inspirado na taça e foi aprovado por um grupo de notáveis que contava com Gisele Bündchen, Ivete Sangalo, Paulo Coelho, Ricardo Teixeira, Oscar Niemeyer e Hans Donner.


Apesar de não ter sido oficializada ainda, a logo não agradou aos torcedores brasileiros. Após as primeiras imagens começarem a circular na internet (ontem), muitos internautaus aproveitaram o Twitter para criticar a escolha.

E você, o que achou?

1 de mar. de 2010

A saga de um torcedor

[Texto escrito por Rafael Zanette, publicado originalmente no site Acontecendo Aqui, no dia 1/3/10]

Caros,


Desde que me entendo por gente sempre ouvi que o brasileiro gostava de futebol. A cada ano que passa tenho mais certeza disso. É algo tão fora do comum que chega a ser insano. Como dizem, só pode ser a tão falada “paixão”, não tem outra palavra para definir o que o torcedor brasileiro sente pelo seu clube do coração.
Você adora futebol e resolve assistir ao jogo de seu time. O primeiro desconforto já começa aí, a compra do ingresso. Você tem a opção de passar algumas horas na fila no horário comercial, embaixo de um sol escaldante ou tomando chuva, ainda contará com o assédio de cambistas que te forçam a comprar o ingresso de qualquer maneira. Ah, esqueci. Alguns clubes te dão a opção de comprar pela internet. Mas o conforto da internet serve apenas para áreas, digamos com um preço mais salgado que o normal, sem contar um detalhe, o valor tem um acréscimo de 10% no valor. Justo? Talvez.

Ok, meu amigo. Agora com o ingresso na mão começará a sua saga. Não é uma regra, porém alguns estádios costumam ser um pouco afastados. O que te pede um pouco de paciência e um pouco mais de gasolina em seu carro. Dependendo da localização e da quantidade de pessoas no jogo, pode durar, entre meia hora a uma hora em médiao percurso. Certo, se você for de transporte público, no caso ônibus, pois são poucos os estádios com metrô ou trem perto, você estará entulhado com mais um monte gente, o que contando o número de paradas o tempo pode ser muito maior.

Meu caro, você já é um guerreiro de chegar até o local do jogo. Então, agora que você ficou horas na fila. O jogo já está perto de começar e para entrar no estádio, mais um sofrimentozinho que não faz mal para ninguém. Para quem ficou 1 hora na fila para chegar ao estádio, pode ficar mais uns 20 minutos no meio do tumulto para entrar. Sim, nesse meio tempo você pode correr o risco de ser furtado e nem perceberá. Dependendo do tumulto, também pode ocorrer de ser esmagado, irão pisar no seu pé. Pois bem, agora você adentrou o estádio, aquele caldeirão bonito, com a torcida berrando gritos, batuque, etc e ... Com o tempo que você perdeu para chegar até este ponto, o estádio já está lotado. Ah, mas alguns estádios são todos com cadeiras numeradas, correto? Correto, e daí? Daí que no ingresso tem o número do seu assento e isso não deveria ser um problema. Realmente, não deveria, mas meu grande amigo, o número do seu ingresso na prática não serve para nada, pois ninguém irá respeitar. Certamente, alguém estará no seu lugar, na hora que chegar. Aceite essa situação e se acomode do jeito que der.

O jogo começou, terás sorte de não ser atingido por um copo de refrigerante de um torcedor mais exaltado. Digo refrigerante, porém pode ser algo muito pior. Sinta-se aliviado se ninguém jogar um rojão perto de você ou coisa semelhante. No meio do jogo, geralmente num momento importante do seu time, a torcida organiz
ada irá passar com o bandeirão sem pedir permissão, atrapalhará a sua visão do jogo. Engraçado como que nessas horas, sempre acontece algo importante que você perdeu só poderá ver no outro dia pela TV.

Ta ficando estressado com tudo isso? Bateu a fome? Fique tranqüilo, você pagou para entrar no estádio, não foi barato, então pode escolher comer algo de qualidade, certo? Não, você irá pagar preços abusivos por produtos, muitas vezes de qualidades duvidosas.
Chegou o intervalo, você está com muita vontade de “tirar a água do joelho”, afinal, já faz mais de 3 horas que saiu de casa. A fila do banheiro é monstruosa e a limpeza, bem, deixa para lá, ainda mais se você for mulher. Voltando ao seu lugar, a chance de perder seu posto é grande, mas tudo bem. O que importa é o segundo tempo e o atacante que vai entrar promete arrebentar.

O jogo acabou, lembra da nossa amiga? Não? Sim, ela, nossa amiga paciência. Se fará presente no seu regresso. E será muito bem vinda, ainda mais se o seu time perdeu. Ah, você veio de transporte público,
se for dia de semana, a chance do metrô já estar fechado é grande e dependendo você poderá chegar em casa ali por duas horas da manhã. Para completar, fica a pergunta, brasileiro gosta ou não de futebol? Esse texto foi escrito num tom bem humorado, porém logicamente possui uma crítica por trás dele. Nas próximas colunas, tentarei não apenas apontar os defeitos que temos que melhorar, todavia mostrar algumas soluções para que possamos melhorar o espetáculo. Já que teremos que aprender bem rápido tudo isso, pois dentro de pouco tempo teremos que organizar um evento chamado Copa do Mundo que nada do foi falado acima, poderá estar presente.