8 de mar de 2010

And the Oscar goes to...

Já que o Oscar movimentou os vários sites de notícias, blogs e coberturas televisivas nos últimos dias, aproveito pra postar abaixo "Dez questões sobre o Oscar 2010", escrito por Bruno Yutaka Sato na Ilustrada, da Folha Online. Embora a publicação seja do dia 3 deste mês, acho que vale a pena pensar um pouco no que ele coloca, principalmente no que se refere a questão mercadológica cada vez mais presente no cinema (não só no cinema, é claro):

1. TERAPIA

O Oscar é a grande terapia coletiva norte-americana. Se os EUA continuam no Iraque, “Guerra ao Terror” e “Avatar” fazem belos mea culpa; “Invictus” e “Distrito 9” reveem o Terceiro Mundo; “Bastardos Inglórios” reescreve a história; “Amor sem Escalas” é um exame de consciência da realidade capitalista; “Preciosa” e “Um Sonho Possível” são como os filmes brasileiros que exploram a miséria e “Up - Altas Aventuras” e “Um Homem Sério” retratam crises pessoais;

2. TRIO

Espremendo os dez, não saem nem cinco. Apenas três filmes merecem o ostentoso título “Melhor filme do ano” (“Avatar”, “Guerra ao Terror”, “Bastardos Inglórios”); mas vale lembrar que o “melhor filme” do Oscar nem sempre é sinônimo de qualidade, vide “Shakespeare Apaixonado”;

3. PIEGUICE

“Um Sonho Possível” corre por fora, mas quem sabe? É como se fosse um “Invictus” sem o talento de Clint Eastwood e só com as partes cafonas. O Oscar já premiou filmes didáticos/maniqueístas que parecem ignorar os últimos 60 anos de evolução das técnicas narrativas (vide o Oscar para “Crash”);

4. EXPLORAÇÃO

“Preciosa”? Spike Lee já fez melhor, e me incomoda particularmente a representação gráfica de toda aquela miséria; soa a sensacionalismo barato, exploração da miséria alheia, e não um filme cúmplice. É como se tudo fosse meio caricato, felliniano, daí ser difícil levar a sério o aspecto “social”, de denúncia;

5. É GUERRA

Nos últimos 40 anos, três filmes sobre guerra levaram o prêmio: “Patton - Rebelde ou Herói” (1970); “O Franco Atirador” (1978) e “Platoon” (1986). “Guerra ao Terror” seria mais um novo capítulo nessa tradição?

6. ACADEMIA MACHISTA

A Academia tem um débito com as mulheres, já que nenhuma nunca levou o prêmio de direção. Kathryn Bigelow é a quarta indicada; não é possível que em mais de 80 anos de existência do prêmio não tenham aparecido mulheres merecedoras do Oscar;

7. LOBBY

Faz toda a lógica “Avatar” vencer, se levarmos em conta o quesito interesses da indústria. Em termos técnicos, nada se compara à chegada do som; mas um prêmio para “Avatar” seria a coroação do 3D, a tábua de salvação do cinema (em termos de indústria), que, vale lembrar, é uma arte nascida da tecnologia e em constante transformação;

8. NÃO É HORA

É óbvio que “Avatar” terá sequência; o próximo da saga, segundo James Cameron, vai se chamar “Na’vi” e irá abordar a vida dos habitantes de Pandora. Em 2003, o terceiro “Senhor dos Anéis” venceu. Mas era a conclusão da saga, daí tinha cara de ser um prêmio pelo conjunto da obra. Será que o Oscar de “Avatar” não chegará só quando a saga concluir?

9. TERRA BRASILEIRA

Na minha lista de melhor filme brasileiro do ano para a votação do Cinesesc, indiquei “É Proibido Fumar”. Ainda assim, não o vejo como páreo dos indicados ao prêmio de filme estrangeiro, todos de altíssimo nível. Mas, na terra da Globofilmes, é rei

10. MOFO

Goste ou não do Oscar, não há como negar que esta edição tem, ao menos, o mérito de levantar questões relevantes sobre a indústria e seu futuro; tudo bem que as mudanças foram por questões mercadológicas, mas tem menos cara de coisa mofada.

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