20 de out de 2010

Convite: palestra com Enio R. Mueller

Já postamos aqui que a Editora Grafar, de Joinville, teve como primeira publicação o livro "Caminhos de reconciliação: a mensagem da Bíblia", escrito por Enio R. Mueller.

Agora, convidamos para a palestra a ser proferida por ele no V Fórum de Pentecostalidade e Reforma, numa iniciativa da Faculdade Refidim do CEEDUC. O assunto abordado por Enio será conduzido em torno dos "Caminhos de Reconciliação".

A palestra será no dia 27 de outubro, às 19h, na Livraria Midas (rua Dr. João Colin, 475).

Haverá espaço para autógrafos.

Não dá para perder!

15 de out de 2010

Pelo fim da guerra santa nas eleições

CARTA PASTORAL

Pelo fim da guerra santa nas eleições

A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB tem exercido na área pública e no cenário político uma postura de vigilância profética e de ação calcada no princípio do amor ao próximo. Não tem perseguido interesses próprios institucionais, mas tem buscado, no âmbito de sua responsabilidade, servir as pessoas em suas necessidades físicas e espirituais.

Em seu próprio nome e em sua Constituição, a IECLB adotou deliberadamente a designação de ser igreja no Brasil, com “todas as consequências que daí resultarem para a pregação do Evangelho neste país e a corresponsabilidade para a formação da vida política, cultural e econômica de seu povo”, como formulado pelo Pastor Presidente H. Dohms já em 1949, no Concílio constitutivo da então denominada Federação Sinodal. Marco histórico foi também o chamado Manifesto de Curitiba, adotado no Concílio Geral de 1970, quando em meio ao período mais sombrio do regime militar, a IECLB estabeleceu critérios claros de distinção entre Igreja e Estado, entre esferas pública e privada, sem, contudo, separá-los como autônomas ou estanques. Realçou, por isso mesmo, o papel de vigia da igreja, por exemplo, na denúncia de infrações aos direitos humanos.

Um princípio fundamental da Reforma, no século XVI, e parte integrante da confessionalidade luterana, é também o total respeito à consciência de cada pessoa e a suas próprias decisões de fé, ainda que a Igreja deva proclamar sempre e em todos os lugares os valores da Palavra de Deus. Entre estes se destacam o cuidado para com toda a criação, a dignidade de todo ser humano como criatura criada à imagem de Deus e a edificação de comunidades acolhedoras e fraternas, nas quais não haja exclusões e onde, por isso mesmo, gozam de especial carinho todas as pessoas pobres, as que padecem necessidades ou sofrem injustiças e opressão.

Esses são princípios básicos que norteiam quem é cristão em seu discernimento ético e também na avaliação das propostas políticas em debate na Nação. Repudiamos como incompatível com a fé cristã todas as tentativas de “sacralizar” o embate político, sobretudo qualquer tentativa de “satanizar” ou “demonizar” pessoas ou forças políticas adversárias. Quem o faz deve se perguntar e ser questionado se não está sendo ele próprio instrumento da injustiça e do mal. Já há quase cinco séculos, o Reformador Lutero repudiou completamente o conceito de “guerra santa” como falsificação da palavra de Deus. Devemos resistir à tentação de reintroduzi-lo em nossas consciências e na vida política.

Uma preocupação especial temos com o uso, melhor dito, o abuso da internet. Nesta campanha, ela tem se revelado como instrumento poderoso não apenas para a difusão de notícias e opiniões, bem como para análises da realidade, mas também, em larga medida, para disseminar calúnias e difamações, muitas vezes de forma acobertada pelo anonimato ou até mesmo fazendo uso indevido de nomes de pessoas ou entidades respeitáveis e conceituadas.

Exortamos, portanto, a todas as pessoas, em particular os membros da IECLB, a que não se deixem seduzir por acusações oportunistas ou temáticas diversionistas, nem se deixar levar por emoções artificialmente induzidas. Ao contrário, examine-se com sobriedade, à luz dos valores de nossa convicção evangélica, acima arrolados, a nossa realidade, suas mazelas e suas belezas, o momento peculiar que vivemos como Nação, a qualidade de vida que temos e pretendemos alcançar. Avaliem-se também as propostas de programa da candidata Dilma e do candidato Serra. Em que consistem? Qual seu alcance e resultado? Avançam a justiça e a solidariedade no país? São exequíveis ou apenas promessas de campanha?

Assim, decida cada qual em sua consciência.

Porto Alegre, 14 de outubro de 2010
Dr. Walter Altmann
Pastor Presidente

13 de out de 2010

Tempo de nos "colocarmos"!

"Os mineiros chilenos continuam sendo salvos do soterramento que sofreram há 700 metros de profundidade, enquanto escrevo esta meditação. Eles experimentaram grande crise que durou mais de dois meses. Neste momento a mídia nos informa que todo esse “processo de angústia” começa a chegar ao seu final. Nada será como antes para aqueles 33 homens. Eles, como poucos, tiveram tempo para refletir sobre suas vidas. Não resta dúvida que seu “momento histórico” é estupendo."

O assunto é quente e o texto é ótimo!
Clique ali no "Pão Quentinho" e leia o artigo escrito pelo P. Renato.

12 de out de 2010

Os brinquedos mais vendidos da Estrela

No ensejo do Dia das Crianças, a revista Superinteressante listou os oito brinquedos mais vendidos da Estrela*. Com essa lista, com certeza é possível resgatar uma porção de memórias da infância: como naqueles tempos em que contávamos notas e notas de dinheiro, não sabendo ao certo se era melhor investir em Interlagos ou Morumbi, ou ainda, quando íamos do Hall à Sala de Música, passando pela Cozinha, para desvendar o responsável pelo crime... teria sido o Coronel Mostarda, ou a Dona Violeta, talvez?


8- Autorama – 4 milhões
O brinquedo que virou até verbete no dicionário foi inventado em 1938 pelo norte-americano Albert Edward Cullen, que o batizou como Slot Car. O jogo de carrinhos chegou a ser importado para o Brasil depois de um grande sucesso no exterior, mas custava caro. Foi nos anos 60 que a Estrela começou a fabricação 100% nacional, com peças de encaixar de plástico. Ficou tão popular no Brasil que, em 1973, rolou até um Campeonato Brasileiro de Autorama em São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Recife. Quase 7 mil competidores participaram do evento.


7- Chuquinhas – 6 milhões
Provavelmente a maioria das meninas teve uma boneca dessa nos anos 80 – talvez só não associe o brinquedo ao nome. Essas bonecas pequeninas com um fiapo de cabelo no alto da cabeça figuraram em várias brincadeiras de casinha por aí. A coleção atual traz vários acessórios como cadeirão, cavalinho, andador e triciclo.

6- Meu Bebê – 6,5 milhões
A clássica boneca careca de 63 centímetros da Estrela já ativou o instinto materno de 6,5 milhões de meninas. Com vestidinho e cheirinho de talco, as novas versões da boneca agora disputam com as crianças para ver quem faz mais barulho – elas também falam e cantam.

5- Detetive – 8 milhões
Originalmente criado na Inglaterra, em 1949, o jogo Detetive chegou ao Brasil em 1977. O objetivo é simples: descobrir qual dos suspeitos, armas e aposentos estão envolvidos em um assassinato. Na versão mais atual, é preciso descobrir quem matou o milionário de uma pequena cidade do interior. O jogo virou até filme – “Os Sete Suspeitos”, comédia com 3 finais alternativos em que sete pessoas são suspeitas de matar o rico Sr. Pessoa (Mr. Body).

4- Jogo da Vida – 10,5 milhões
O jogo que faz você casar, ter filhos e virar médico é sucesso nas famílias desde 1985. Vendeu 2/3 menos que o primeiro lugar da lista, mas 10,5 milhões de vendas não é pouca coisa, não. O objetivo é ser bem sucedido financeiramente (ou, pelo menos, não falir!) e dá pra jogar com até mais 7 pessoas. Certeza que você já jogou pelo menos uma vez na vida, hein?

3- Fofolete – 12 milhões
As bonecas Fofolete eram tão pequenas que vinham numa embalagem parecida com caixa de fósforos ou dentro de um ovinho. Com várias cores e formatos, a grande graça do brinquedo era… ser pequeno e fofinho, presumimos. E baratinho. Fez sucesso: foram 12 milhões de peças vendidas e superou o super conhecido Jogo da Vida. Uma das versões mais novas da Fifolete é a sereia, em que a boneca vem dentro de uma concha que toca música quando abre.

2- Susi – 25 milhões
Lançada em 1966, a versão brasileira da Barbie fez sucesso entre as garotas daqui até os anos 80, quando deixou de ser fabricada. Para a alegria das meninas, que curtiam ficar trocando as roupas e fazendo a boneca desempenhar todas as profissões que quisessem, a Susi voltou nos anos 90. Hoje, a boneca está toda hypada e até ganhou uma versão comemorativa ligada a uma novela da TV Globo.

1- Banco Imobiliário – mais de 30 milhões
Criado em 1932 por Charles Darrow, um vendedor de sistemas de aquecimento desempregado da Pensilvânia, o Banco Imobiliário chegou ao mercado brasileiro em 1944. É o jogo de tabuleiro mais famoso do mundo (segundo o Guiness Book, cerca de 500 milhões de pessoas o haviam jogado até 1999). Já ganhou várias versões – a junior, a de luxo, a dos Simpsons, da Liga da Justiça, do Spider Man… A mais moderna é a do Super Banco Imobiliário, em que as cédulas de papel foram trocadas pelo pagamento com cartão. Além disso, os jogadores deixam de comprar as antigas empresas anônimas de navegação, aviação e ferroviária do original para adquirir ações de mentirinha da Vivo, Itaú, TAM Viagens, MasterCard, Nívea e Ipiranga, parceiras que na vida real ajudaram a subsidiar o investimento tecnológico necessário para criar o jogo.

*Em tempo: Desde a primeira boneca, a Estrela já produziu mais de 25 mil brinquedos diferentes, num total de mais de 1.2 bilhão de unidades que foram distribuídas em todo o país. Leia mais sobre a marca, fundada em 1937, clicando aqui.

6 de out de 2010

O novo profeta da nação

O texto abaixo, sugestão do nosso amigo Claudio Beckert, é de autoria de Alex Dias Ribeiro (Atletas de Cristo).


O pastor chegou da igreja cansadão depois de um domingo cheio de atividades e desabou no sofá para dar aquela relaxada. Alguém ligou a TV justo no momento em que acabavam de mostrar o gol mais bonito da rodada. O repórter perguntou ao autor da jogada como ele conseguira fazer aquele golaço. “É, eu chutei e graças a Deus foi gol”. “Puxa vida, eu não sabia que esse cara era atleta de Cristo”, exclamou o pastor, levantando-se empolgado do sofá. “Tenho que trazê-lo para pregar na minha igreja”.

Não sossegou até arrumar um diácono que era amigo da irmã da sogra do jogador. Mesmo advertido de que o craque não era tão bom de fé, quanto de bola, o pastor não quis nem saber e pôs faixas no bairro inteiro, anúncios no rádio e convites no jornal.

No domingo, a igreja estava lotada. Depois que as 16 bandas da igreja se apresentaram, o pastor se levantou e, orgulhosamente, apresentou o grande pregador da noite. O atleta que, até então, só sentara no último banco, subiu meio desajeitado no púlpito e engoliu em seco ao encarar de frente a multidão. Resolveu encarar a situação, respirou fundo, deu uma ajeitada na gravata que nunca tinha usado e começou: “Bom, meus irmãos, eu vou contar para vocês a parábola do Bom Samaritano, amém”!? A congregação respondeu em coro: “Amém”! Foi então que o artilheiro ganhou moral com o eco favorável da torcida.

O sermão – “Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu numa plantação de espinhos que começaram a sufocá-lo. Tentando sair da incircuncisa situação, ele gastou todo o seu dinheiro até ficar pobre, a ponto de comer a comida dos porcos numa fazenda. Foi então que ele encontrou a rainha de Sabá, que lhe deu um prato de lentilhas, cem talentos de ouro, vestidos brancos e um cavalo. Ao prosseguir viagem, seus cabelos se enroscaram numa árvore e o homem ficou pendurado por muitos dias, mas os corvos lhe trouxeram comida e água, de sorte que o homem comeu cinco mil pães e dois peixes. Uma noite, quando ainda estava suspenso, Dalila, sua mulher, chegou e sorrateiramente cortou seus cabelos. O homem caiu em pedregais escorregadios, mas levantou-se e andou. Então choveu quarenta dias e quarenta noites e o homem escondeu-se numa caverna, onde se alimentou de gafanhotos e mel silvestre. Saindo, encontrou um servo chamado Zaqueu, que o convidou para jantar. Mas o homem desculpou-se, dizendo que não podia porque havia comprado uma manada de porcos perdidos como ovelhas sem pastor. Foi então que um leão faminto tragou os porcos, mas Golias derrotou o leão com sua funda e mostrou ao homem o caminho que levava à Jericó. Ao aproximar-se das muralhas da cidade, ele viu Jezabel na janela. Mas, ao invés de ajudá-lo, ela riu. Indignado, o homem bradou em alga voz: Lançai-a fora! E eles a lançaram fora setenta vezes sete. Dos fragmentos foram recolhidos doze cestos e disseram: Bem-aventurados os pacificadores. Portanto, irmãos, na ressurreição dos mortos, de quem será esta mulher? Assim diz o Senhor. Amém”!

Encantada, a congregação aplaudiu de pé. Na saída, entre um autógrafo e outro, o pastor ouviu uma confissão: “Eu não entendi nada do que ele pregou, mas foi uma bênção”. “Ai, você falou ao meu coração”, suspiraram as garotas da igreja. Feliz como quem marca um gol de placa, o craque da Palavra foi para casa achando que era o novo profeta da nação.

Contrabando de palestinas

A matéria abaixo é de Guila Flint, para a BBC Brasil.

Em um ato premeditado de desobediência civil, mulheres israelenses violaram a chamada Lei de Entrada em Israel, que proíbe a entrada de palestinos, e "contrabandearam" mulheres palestinas para passear em Tel Aviv, expondo-se ao risco de uma pena de dois anos de prisão.


"Quando uma lei é desumana e racista, desobedecer torna-se uma obrigação moral", disse à BBC Brasil Daphne Banai, uma das israelenses que participaram do ato de protesto.

"Enquanto os israelenses, inclusive os colonos, podem circular livremente em toda a região, os palestinos ficam presos em enclaves cercados por muros e pontos de checagem", afirmou.

Segundo as autoridades israelenses, as restrições à entrada de palestinos em Israel têm o objetivo de evitar atentados.

A proibição tornou-se praticamente hermética durante a segunda Intifada (levante palestino) que começou no ano 2000, depois de uma série de atentados suicidas realizados em grandes cidades israelenses.

'Libertação'

Daphne, de 61 anos, contou que o passeio com as mulheres palestinas foi um dos dias "mais emocionantes e felizes" de sua vida.

"Senti uma sensação de libertação naquele dia", disse Daphne. "A ocupação e o enclausuramento da população palestina em enclaves na Cisjordânia me fazem sentir em uma prisão", disse.

"Desafiar a lei e trazer as mulheres palestinas para passear em Tel Aviv e ver o mar me fez sentir uma sensação de liberdade por um dia", disse.

"Acho que a ocupação coloca não só os palestinos, mas tambem nós, os israelenses, em uma prisão."

Artigo

O desafio à proibição generalizada à entrada de palestinos em Israel começou com um ato isolado da escritora Ilana Hamermann.

Em maio deste ano, a escritora, de 66 anos, publicou um artigo no jornal Haaretz, relatando que havia "contrabandeado" três mulheres palestinas, em seu carro, para dentro de Israel, e as levado para ver o mar em Tel Aviv.

"Eu já faço isso há muitos anos, 'contrabandeio' amigos palestinos pois não reconheço a legitimidade da ocupação, dos muros, das cercas e dos pontos de checagem que Israel instalou na Cisjordânia", disse Ilana à BBC Brasil.

"Essas limitações à liberdade dos palestinos não contribuem para a segurança dos israelenses, muito pelo contrário, acho que é essa política de ocupação que nos coloca em risco", afirmou.

Anúncio

O gesto simbólico de Ilana comoveu mais onze mulheres israelenses, que seguiram seu exemplo e há alguns dias publicaram um anúncio assinado na imprensa local, declarando que haviam violado a lei, de maneira premeditada, e levado 12 mulheres e 5 crianças palestinas, para passear em Tel Aviv.

A operação foi cuidadosamente planejada e houve dois encontros preliminares com as mulheres palestinas, antes do passeio.

De acordo com Daphne, as mulheres palestinas, habitantes de duas aldeias próximas a Jerusalém, na Cisjordânia, sabiam que estavam assumindo o risco de serem presas pelas tropas israelenses.

Para conseguir passar pelos vários pontos de checagem no caminho, elas se disfarçaram de israelenses e não vestiram as roupas tradicionais palestinas, retirando inclusive o véu com o qual geralmente cobrem os cabelos.

"Para todas as mulheres envolvidas, tanto as israelenses como as palestinas, nosso passeio foi, antes de tudo, um ato politico", disse Daphne.

"Mas acabou sendo também um ato de prazer. Comemos juntas em um restaurante em Jaffa, fomos à praia de Tel Aviv, passeamos pela cidade e ao entardecer as levamos de volta para suas aldeias, passando por Jerusalém", conta.

Daphne relatou que, para as palestinas, o momento mais forte do passeio foi quando viram o mar pela primeira vez.

"A vida toda elas sofrem restrições à sua liberdade de movimentação, e ver aquela imensidão livre e sem fronteiras que é o mar gerou uma emoção e uma sensação de libertação, que só uma pessoa enclausurada pode sentir", afirmou.

Debate

Publicando esse ato de desobediência civil, as mulheres esperam gerar um debate na sociedade israelense sobre os limites da obediência e sobre o significado de leis que vigoram no país.

O grupo de direita Fórum Juridico em Prol da Terra de Israel entrou com uma queixa contra Ilana Hamermann junto à Procuradoria Geral da Justiça que, por sua vez, encaminhou o processo à policia.

A pena pela violação da Lei de Entrada em Israel pode chegar a dois anos de prisão.

As participantes israelenses estão dispostas a pagar o preço da violação da lei.

"Para isso estou disposta a ficar dois anos na prisão", afirmou Daphne.

Ilana e Daphne relataram que, desde a publicação do anúncio, receberam dezenas de telefonemas de outras mulheres israelenses, que querem participar do próximo "passeio".

"Depois da visita a Tel Aviv, as palestinas que participaram me disseram que milhares de palestinas estariam dispostas a fazer parte do próximo projeto, pois não aguentam mais a situação atual e querem aderir a atos de desobediência civil junto com mulheres israelenses", disse Ilana.

5 de out de 2010

O lado www da Bíblia

A matéria abaixo foi publicada originalmente na 48ª edição da revista Piauí. O assunto é bastante relevante e a matéria, bem interessante.

"Jesus Cristo" ainda é mais famoso do que "sexo cristão"

Um evangélico em dúvida sobre como aplacar as coceiras que lhe advêm da lascívia agora já tem escolha. Em vez de ir soltar seus demônios no púlpito ou no palco (para horror profundo ou secreto gozo da plateia de irmãos), ele pode, por exemplo, dar uma vasculhada no Goocrente, o portal “onde os sites cristãos se encontram”. Se ali dentro, contudo, o pobre-diabo buscar “sexo cristão”, encontrará apenas sites de namoro, pura caretice sabida e consabida, a não ser por um certo amorcristão.net, site onde se encontram evangélicos mais prontos, digamos assim, para abraçar o mundo. Os danados permitem buscar homem, mulher, ambos, casais e grupos, tudo a partir dos 16 anos.

O cristão atormentado não demoraria a reparar, mesmo à beira do vasto oceano virtual, que libertinagem evangélica só aporta mesmo é no Sexo Cristão, diretamente. Com três anos de existência, 30 mil visitantes por mês (mil por dia, 41,666 por hora, 0,69444 por minuto) e o aval do proprietário – o pastor Ramon Tessmann, de Santa Catarina –, parece ser este o único espaço cristão que de fato acolhe e sossega os mais inconfessáveis desejos.

Conta o pastor Ramon que a dúvida mais inusitada que ele recebeu foi sobre um chuveirinho amarelo. “A pessoa perguntou se era pecado.” Ela explicou o que era: uma posição em que a mulher fica em pé sobre o homem e faz pipi nele, ou vice-versa. “Achamos um tanto estranho”, disse o pastor, “pois em nossa região não conhecíamos esse apelido.”

Logo na primeira página o site propõe uma enquete polêmica: “O que você acha de o cristão ir a motéis?” Mais de 100 mil respostas depois, continuava pegando fogo, sem perspectiva de acordo entre os “sim, é pecado” e os “não, não vejo problema algum”. Há dez especialistas voluntários para responder às dúvidas mais frequentes. Uma das mais acessadas súplicas fogosas é, por exemplo, se “sexo oral entre casados é pecado”. Uma questão pertinente, afinal, explica o especialista que “se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies? (Colossenses 2: 20-21)”. É necessário grandes dotes hermenêuticos para extrair disso uma lição sobre o cunnilingus ou ofellatio, mas aí está. Quem acha que sexo oral é pecado “costuma dizer que ‘sua boca é para louvor e adoração ao Senhor’, e não para ‘essas coisas’”. Mas, pergunta outro: “Se a boca é somente para orar, louvar e pregar, não vai se alimentar mais?” De fato.

Entre as dúvidas frequentes está a seguinte: “Por que não apedrejamos os adúlteros hoje em dia?” Ora, pois. Afinal, “quando alguém transgredia a Lei de Deus na época de Moisés, a orientação dada pelo próprio Deus era que esta pessoa fosse apedrejada”. Antes que os traídos se animem, o site explica que Moisés, talvez injuriado com a esposa, inventou essa história de apedrejamento dizendo que era a Lei de Deus. Mas aí o Império Romano decretou que isso de tacar a primeira pedra nas atrevidas, só depois de transitado em julgado?– pelo júri imperial, claro. Aí Jesus, coitado, ficou rendido na história, porque “se Ele dissesse que a mulher não devia ser apedrejada, o acusariam de descumprir a Lei de Moisés, e se Ele autorizasse a condenação o acusariam de afrontar os romanos”.

O sucesso é tanto que já está em estudo a troca do layout e da programação do site, construído depois que Ramon, dono de outros portais evangélicos, começou a receber um quinhão considerável de perguntas a respeito de padrões sexuais dignos do evangelismo. O público mais arrependido ainda dispõe de um vasto consolo para suas angústias carnais no mundo da web. Afinal, Sua onipresença também se faz em megabytes. No Twitter, por exemplo, pode-se confessar os pecados com o próprio Senhor, via @ocriador, ou enviar 140 caracteres de súplicas ao Muro das Lamentações por meio do @TheKotel, cujo proprietário, Alon Nil, garante aos internautas do mundo inteiro um pedaço de papel enfiado entre as pedras sagradas de Jerusalém.

Claro, nem tudo é sexo. Pela net também é possível acender velas virtuais a tudo quanto é santo. Mil santinhos enviados por e-mail saem pela bagatela de 50 reais. O cristão moderno já pode até louvar a Deus via web ao vivo, ou comprar dvds de cultos anteriores. Pastores como Tupirani da Hora – um dos primeiros presos por intolerância religiosa do Brasil – já propagam suas convicções em tvs e rádios online, ao alcance do mundo inteiro e longe de intervenção policial. Existe até a Vida Nova – “a igreja de Jesus na internet” –, com transmissão de cultos inclusive do exterior e horário de atendimento via Skype. Já os católicos, além de contarem com um canal do Vaticano no YouTube, podem até se tornar amigos do papa Bento XVI?– embora a conta, na verdade, seja administrada por membros do Vaticano e não exatamente pelo papa.

O Todo-Poderoso está cada vez mais ao alcance de um clique. Afinal, “sexo cristão” (ainda) é menos famoso do que “Jesus Cristo”, segundo o Google. Em meados de julho, o placar de resultados marcava 219 mil contra 1 020 milhões.

4 de out de 2010

Governo de SC

O novo governador de Santa Catarina foi conhecido ontem mesmo, dia 3 de outubro, algumas horas após o encerramento das eleições. Raimundo Colombo, do DEM, desbancou as pesquisas que indicavam segundo turno (na disputa com a candidata do PP, Ângela Amim) e, de quebra, obteve votação recorde: até às 22h, com 99,97% das urnas apuradas, já havia conquistado 1.814.808 votos.

Diante disso, utilizo matéria publicada hoje no Clic RBS, resgatando as promessas de campanha do novo governador do estado, para que possamos ficar antenados - principalmente a partir de janeiro de 2011 - e cobrar suas responsabilidades. Afinal, nossa ligação com a política não deve existir apenas em época eleitoral.

Promessas de campanha de Colombo

Educação
- Qualificar permanentemente os professores (série Vida Real sobre o ensino médio, publicada em 25/7)
- Implantar as escolas técnicas, voltadas às vocações de cada região (entrevista à Record News, 16 de agosto)
- Criar Escolas de Ofício, para quem quer entrar no mercado de trabalho (horário eleitoral, 20/09)
Saúde
- Construir um hospital público na Grande Florianópolis (série de entrevistas do Grupo RBS, publicada em 22/7)
- Transformar os 11 hospitais próprios estatais em "organizações sociais" (OS), entidades sem fins lucrativos (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Formar um corpo funcional contratado através de processo seletivo público, pelas regras da CLT em hospitais transformados em OS (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Transformar os pequenos hospitais em espaços de média complexidade ambulatorial (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Construir um novo hospital de referência para o conjunto dos problemas de alta complexidade, capaz de atender a todos os tipos de intervenções de alta gravidade (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Criação de conselhos para discutir sobre saúde em cada região (debate na Rádio Rural, em 1º de agosto)
- Construir uma policlínica especializada a cada 100 mil habitantes, como os exemplos de Florianópolis e São Paulo (entrevista à Record News, em 16/08)
- Realizar mutirões de cirurgias (horário eleitoral, 01/09)
- Nenhum catarinense a mais de uma hora, de carro, de um grande hospital de referência (Horário Eleitoral, 01/09)
- De três em três meses fazer uma reunião em Joinville com os profissionais da saúde (Debates AN, 02/09)
- Construir hospitais regionais em Biguaçu e Palhoça (release de campanha, 04/09)
- Remodelar e modernizar os hospitais Celso Ramos e Regional de São José (release de campanha, 04/09)
- Atendimento de urgência no Hospital Nereu Ramos na Capital (release da campanha, 10/09)

Economia
- Não aumentar impostos (série de entrevistas do Grupo RBS, publicada em 22/7)
- Implementar o sistema criado pelo governador José Serra em São Paulo, que incentiva o consumidor na solicitação da nota fiscal e beneficia as entidades de cunho social e assistencial, aumentando a arrecadação num processo de cidadania tributária (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Reduzir a carga tributária, em especial naquilo que compõe a tributação para as classes C, D e E (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Dilatar os prazos de recolhimento dos tributos, facilitando as empresas no que se refere à disponibilidade de recursos para o capital de giro (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Analisar criteriosamente os benefícios fiscais e anistias, muitas vezes favorecendo maus contribuintes ou projetos em vantagens para a sociedade catarinense (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Modernizar o sistema informatizado de arrecadação, reduzindo o custo da máquina operacional (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Fazer parcerias com ONGs para a introdução de jovens em áreas de risco no mercado de trabalho (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Criar o programa "Juro Zero", em que governo estadual assumiria o pagamento dos juros dos financiamentos contraídos pelos pequenos empresários. (Sabatina no Jornal do Almoço, da RBS TV, em 18/08)
- Alcançar 50% de domicílios cobertos por saneamento básico em quatro anos com recursos federais e internacionais. Chegar a 100% em oito anos (Série Vida Real, em 01/09)
- Fazer aporte de capital para fortalecer a Casan (Série Vida Real, em 01/09)
Segurança
- Criar uma polícia comunitária (série Vida Real sobre segurança pública, publicada em 18/7, plano de governo apresentado ao TRE-SC e debate na Rádio Rural, em 1º de agosto)
- Ampliar a rede penitenciária (série de entrevistas do Grupo RBS, publicada em 22/7)
- Cobrar ação vigorosa da inteligência policial e na desestruturação do crime organizado, baseada numa polícia equipada e estruturada (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Iluminar praças e ruas públicas, numa ação conjunta com as prefeituras, para dificultar a ação criminosa (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Urbanizar as áreas de risco, melhorando a qualidade de vida da população e facilitando o acesso da ação de prevenção policial (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
Gestão Pública
- Manter as secretarias regionais aperfeiçoando o modelo da descentralização administrativa (debate da rádio CBN/Diário, que foi ao ar em 10/07)
- Manter a Celesc e a Casan como empresas públicas (série de entrevistas do Grupo RBS, publicada em 22/7)
- Criar um sistema de metas para cada setor do governo, acompanhado por um sistema de avaliação transparente (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Definir que cada programa prioritário terá um gestor indicado pelo governo, que vai ser responsável por articular as diversas instâncias de governo e apresentar resultados (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Usar o Gerenciamento Costeiro e a Análise Ambiental Estratégica para estabelecer parâmetros regionais de desenvolvimento (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Aumentar a descentralização orçamentária para decisão local sobre a aplicação dos recursos (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Resgatar a região metropolitana da Grande Florianópolis, composta por Florianópolis, São José, Biguaçu, Palhoça, Antônio Carlos e Santo Amaro da Imperatriz (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Usar a meritocracia para o melhor desempenho de cada servidor público estadual, através de modernos processos de avaliação de desempenho funcional e institucional (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Colocar os dados de gestão dos recursos orçamentários e financeiros, de programas, projetos e licitações, que poderão ser acompanhados em tempo real por qualquer cidadão (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Retomar as regiões metropolitanas (Debates A Notícia, 02/09)
- Ampliar a Celesc para torná-la também uma produtora de energia, e não apenas distribuidora (Debate na Fiesc, 17/09)

Meio Ambiente
- Criar a Secretaria de Estado de Emergência (plano de governo apresentado ao TRE-SC e série de entrevistas do Grupo RBS, publicada em 22/7)
- Criar um programa de gestão de águas com o objetivo de gerenciar os múltiplos interesses pelo uso das águas e de reduzir os problemas causados pelas prolongadas estiagens (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Apoiar à indústria de reciclagem em parceria com a iniciativa privada (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Em parceria com os municípios, recuperar as margens de rios (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Modernizar o processo de concessão de licenças ambientais (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Investir em projetos para evitar dejetos suínos nos rios (debate na Rádio Rural, em 1º de agosto)

Infraestrutura
- Fazer obras no Trevão do Irani, no Oeste (debate na Rádio Rural, em 1º de agosto)
- Criar poços profundos para ajudar no abastecimento de água (debate na Rádio Rural, em 1º de agosto)
- Dedicar-se ao sistemas de cisternas para resolver problemas por falta de água no Oeste (debate na Rádio Rural, em 1º de agosto)
- Tocar com verbas do Estado a duplicação da BR 470. (Sabatina no Jornal do Almoço, da RBS TV, em 18/08)
- Duplicar as rodovias Santos Dumont e Dona Francisca, em Joinville (Debates A Notícia, 02/09)
- Em parceria com a gestão municipal, fazer um anel viário em torno da região central que envolve o centro de Florianópolis e os bairros da Agronômica, Trindade, Pantanal e Saco dos Limões para dinamizar o fluxo no entorno da região central. (release de campanha, 04/09)

Outros temas
- Transformar as Unidades de Conservação existentes no Estado (principalmente os parques e as Áreas de Proteção Ambiental - APA e, em certas circunstâncias, as reservas ambientais), em grandes espaços de preservação e turismo da natureza (plano de governo apresentado ao TRE-SC)
- Revisão da lei estadual que abrange os animais (realese da campanha, 15/09)