26 de abr de 2010

O Retiro

Caros leitores, não se assustem ao ver o tamanho do texto, tampouco desistam de lê-lo. Nele, coloco um pouco do que pudemos aprender e vivenciar nos dois dias de retiro. Logo, logo posto mais fotos e algumas curiosidades sobre o final de semana (a citar, por exemplo, nossas novas amigas-objetos Nhénhe, Rebeca e Fraldinha).

Quem não foi, realmente perdeu! Por isso, agiliza aí e vem pra MiUni. Com certeza você poderá usufruir de ótimos momentos com uma galera do barulho que te espera de braços e sorrisos abertos.

Deus! Um delírio: ateísmo e secularismo

Confesso que ao saber o tema do primeiro retiro de 2010 da MiUni, fiquei um pouco assustada. “Vamos falar sobre não crer em Deus?”, pensei. E essa dúvida me deixou ainda mais empolgada para o final de semana que compreendeu os dias 24 e 25 de abril.

A chuva que havia embalado o sono dos miuneiros na noite de sexta-feira continuou a cair no sábado, mas, nem por isso, houve desânimo. Pouco depois das 8h, saímos de Joinville com muita expectativa para um retiro que prometia amizade, comunhão e, é claro, muito aprendizado.

Ao chegar em Itajuba, nos instalamos em apartamentos de frente para o mar que, mesmo com a chuva, parecia nos recepcionar em grande estilo. “Que lugar bacana!”, foi um dos primeiros comentários. Preparamos o espaço para as reuniões na garagem do edifício. No entanto, o frio e o barulho alto do mar nos impediam de ouvirmos satisfatoriamente uns aos outros. Depois de uma dinâmica de apresentação, resolvemos então nos instalarmos na sala do apartamento das meninas.

Por falar em apresentação, foi nesse momento que pudemos conhecer melhor algumas pessoas que tornaram o retiro da MiUni ainda mais especial. Primeiro, o palestrante Claudio Beckert, que estava acompanhado da esposa Ana Paula e do filho lindo, de dois aninhos, Leonardo; depois, a família que, de antemão havia se oferecido para cuidar de todas as refeições, composta por Glauco, sua esposa Dirlene e filhos Sara e Gustavo que, no auge de seus três anos, também arrancou muitos sorrisos dos miuneiros.

Cibele, Ana, Thiago e Irma em momento de descontração
(nenhum deles sabe explicar o motivo das "poses", acreditem)

Delírios

Como num jogo de futebol, no sábado nosso estudo foi dividido em dois tempos. Depois de um almoço delicioso com massas e molhos, Claudio abordou a história de Cabo Verde, baseado no livro Icabode, de Rubem Amorese, que nos permitiu compreender que a organização das cidades é feita em torno do sagrado. Ele, que é graduado em Jornalismo e Teologia, soube tratar muito bem do tema ao qual estava proposto, expondo que, em tempos de desobediência, nos quais muitos falam sobre Deus sem conhecê-lo realmente, a modernidade impõe três forças: a pluralização (o império das diferenças), a privatização (o império das indiferenças) e a secularização (o império dos sentidos).

No intervalo do jogo, quer dizer, do estudo, nossos cozinheiros de plantão já haviam preparado uma mesa farta com bolos, bolachas, café e outras coisinhas engordativas. Como bem pontuou nossa amiga Fernanda Crema: “Quem está de dieta nem deve vir para o retiro”.

Making-of da foto oficial, com o marzão como plano de fundo

Com força total os jogadores do time da MiUni voltaram para a continuação daquele assunto curioso. Claudio passou a esquematizar a partida, então, com o tema “ateus ontem e hoje”. Explicou a diferença entre o ateísmo implícito (fraco) e o ateísmo explícito (forte), citando pensadores que escreveram sobre, como Voltaire, Darwin, Marx, Nietsche, Sartre e, a partir de 1941, pensadores mais agressivos, como Dawkins.

Para terminar o tempo normal de jogo, a citação do teólogo Paul Tillich incitou ainda mais os miuneiros ao debate: “Deus não existe. Ele é o próprio ser além da essência e existência. Portanto, argumentar que Deus existe é negar-lhe”.

Religulous

Ao final da partida, os jogadores foram liberados para banho, jogos, passeios e, por fim, um bufê de pasteis: tinha de frango, carne, queijo e até de banana. Estava de lamber os beiços, realmente. Satisfeitos, os miuneiros voltaram para o local de jogo, prontos para começar a prorrogação.

Mesmo aqueles que já começavam a bocejar foram despertos pelo documentário Religulous, de Bill Maher. Num tempo em que diariamente nos deparamos com pedofilia na Igreja, entre outros problemas, o filme dá o seu depoimento sobre a religião no mundo todo. Numa perspectiva ateísta, Religulous provoca e, em certos momentos, até ofende aos cristãos, à medida que Maher visita um parque de diversões cristão em Orlando, voa até o Vaticano e a Terra Santa, entrevista crentes e menos crentes e pessoas do porte de um senador norte-americano, um rabi que havia participado de uma conferência negacionista do Holocausto, e um homem que se diz o próprio Jesus Cristo.

Como se pode imaginar, o debate foi longo...

O segundo dia

Depois de uma noite bem dormida, nosso querido Pastor Renato acordou a todos, no domingo, com sua voz imponente entoando cantos (bem que ele havia dito que quem nos acordaria era o Roberto Carlos... bom, foi quase, quem nos acordou foi seu primo, Renato Carlos). No café da manhã, que, pra variar estava farto e gostoso, pudemos rir das caras de sono da maioria e do mau humor de outros. Felizmente, tudo momentâneo.

Dentes escovados, assentos tomados e a programação teve início com o P. Renato nos falando sobre a cura que se encontra em Jesus. “Essa cura é de graça. Mas por que, quando as coisas são de graça, não as levamos tão em consideração?”, questionou.

Foi então a vez de Claudio retomar a palavra, enfatizando que, de Deus, se fala caminhando com Ele. “Nossas atitudes passam a ser a Bíblia que as pessoas lêem”, afirmou. Ao mesmo tempo, perguntou o motivo de nossa dificuldade para acreditar no invisível: “Será que temos medo de acreditar num Deus invisível por medo de perder nossa liberdade, uma vez que Deus nos dá consciência de assumir nossos erros?”.

Com várias coisas novas tomando nossos pensamentos, nos dirigimos para a sala do apartamento ocupado pelo P. Renato (bem organizado, por sinal), para fazer um brinde à MiUni e a avaliação do retiro que estava chegando ao fim. Fizemos também o sorteio da ação entre amigos, que deu uma bicicleta moderníssima para uma senhora (que, infelizmente, não recordo o nome agora).

E como não podia faltar, um ótimo churrasco gaúcho, especialmente preparado pelo P. Renato, com vários acompanhamentos, foi desfrutado por todos aqueles que, sem dúvida alguma, tiveram sua fé em Deus fortalecida e sua comunhão com as pessoas vivida de forma intensa.

Eis o local do retiro... ou não. Fica a dica! :)

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