16 de mai de 2011

Massacre no Realengo: o Brasil precisa desarmar-se

Artigo escrito pelo Pastor Clovis Horst Lindner, publicado no jornal O Caminho, aborda a questão do desarmamento no Brasil. Assunto foi suscitado, mais uma vez, diante da tragédia datada de pouco mais de um mês, em Realengo, no Rio de Janeiro.


"A tragédia humana no Realengo, Rio de Janeiro, infelizmente, deixa uma assinatura de sangue, muito sangue, embaixo da questão do desarmamento. A questão é retomada agora atabalhoadamente, até pelo senador José Sarney, que usa o assunto para garantir sobrevida política e notoriedade.

Já toquei nesse assunto e fui linchado virtualmente pelos defensores das armas. Ninguém quis ouvir que ter arma em casa leva também a tragédia consigo. Sem armas, Wellington não teria como executar seu tresloucado projeto assassino. E olha que ele entendia de armas. Uma das poucas armas que eu já vi na minha vida é o famoso 38. Fiquei sabendo agora que há carregadores rápidos para essa arma de somente seis tiros, que ele usou por nove vezes antes de ser “parado”.

A vitória num referendo não o torna a única verdade. E os derrotados, mesmo sendo a minoria, podem continuar defendendo a sua visão. Nem sempre maioria é sinônimo de estar certo. Hoje, graças à ampla campanha de desinformação perpetrada em 2005, adquirir uma arma de fogo no Brasil se tornou tão simples quanto tomar um café expresso na esquina.

No ano do referendo, o Brasil comercializava 68 mil armas de fogo. Cinco anos depois (2010), foram quase 120 mil. Mas os senhores das armas dirão, justificando, que o assassino do Realengo deve ter comprado suas armas no mercado paralelo. Pior ainda. Se ele adquiriu os revólveres 38 e 32 no mercado oficial, é um escândalo. Se fez isso no paralelo, um escárnio.

O resultado desse descontrole sobre as armas é que o Brasil tem 50 mil mortos por armas de fogo a cada ano. É uma terra sem leis, em que aquelas que existem estão sob o jugo de fortes interesses particulares, em que policiais decidem aplicar a execução de criminosos sem a menor cerimônia, mesmo que não haja pena de morte e haja tribunais para julgar os que transgridem a lei.

Um novo referendo é o que o Brasil precisa. Apesar de tudo, Sarney tem razão. Diga não às armas. E se você tiver uma em casa para defender-se dos ladrões, saiba que há mais de 90% de chance de você morrer, caso reaja a um bandido armado que invade a sua casa ou tenta assaltá-lo na rua. Ainda por cima, ele levará a sua arma para o crime."

E a sua opinião, qual é?

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